A cadência do bem
- Daliane Azevedo P. Guimarães

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de jan.

Há muito tempo não acontecia um hiato tão extenso na minha escrita por aqui. Por questões pessoais e porque talvez eu precisasse acessar um espaço em mim: silencioso, individual, familiar... para que a semente da palavra reconhecesse de novo o seu lugar. Distanciar da montanha para contemplar e assentar percepções.
Nos últimos tempos a vida tem oferecido intensamente provas, perguntas, mergulhos, reavaliações e muita espera. Esperar é algo que aprendemos todo dia, principalmente quando entendemos que não é sobre a nossa vontade e que ‘controle’ é ilusão dos tolos.
Confirmei com força, mais uma vez, quem são as ‘minhas pessoas’, que energia é essa que nos move para o bem, ainda que as investidas da fofoca e da perversidade queiram nos desestruturar. Meu padrinho me disse um dia que ‘ninguém joga pedra em árvore que não dá fruto’! É fato! Qualquer movimento bom, justo e genuinamente honesto, será de alguma forma posto à prova.
Sempre soube que os que julgam, insultam, gritam, esbravejam e trabalham contra são os mais fracos. No entanto, eles também ensinam. É uma amostra do que não devemos ser, nem querer pra nós.
Na última semana a vista ficou turva, o coração apertou como nunca, mas a alma se abriu para enxergar-me, para voltar ao meu interno e reconhecer os passos dados até aqui. Na minha mente a cena do meu pai beijando a minha mão e me agradecendo pelo cuidado com ele, ao mesmo tempo em que lembrava do seu olhar amedrontado me dizendo muitas palavras.
A vida é mesmo um livro aberto, numa linguagem muito simples, para quem se dispõe a ler. Confesso que venho escolhendo ler e falar quando sinto que a palavra é um refrigério também pra mim. Os desafios são imensos, a maldade se agiganta, mas a cadência do bem não se submete aos maus olhos, não desconfigura a realidade.
Boa índole também é uma sucessão de escolhas! Não nascemos prontos, nem conhecemos as pessoas sem observação. Desenvolvemos a musculatura do coração com exercício e criamos laços de paz com a comunicação respeitosa.
Há um espaço seguro nas pessoas que sabem quem somos e nos lembram do lado bom que possuímos, apesar das fraquezas. Os que plantam discórdia, aumentam o fogo, descaracterizam a ação do bem, perdem muito da vida.
A corrente bondosa é feita nos bastidores, fora dos holofotes, construída no silêncio, dentro do coração de quem se permite. As palavras são um adorno de uma comunicação muito maior. Não é sobre controle, é sobre maturidade das nossas interações relacionais.
“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura” – Guimarães Rosa



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