Era uma vez um vovô...
- Daliane Azevedo P. Guimarães

- 7 de mar. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de mar. de 2024

Conta-se que em 1930 nascia um menino, tão bonito, que construiria sua história, cercada de pessoas, de certa pressa por viver, misturada ao saborear de pratos e afetos. Nascia o meu avô, o "nosso" vovô - pai de muitos, esposo, amigo, camarada... coberto em outros tempos, da rigidez que lhe cabia no trato com os filhos mais velhos, que se evoluiu em doçura quando a família se multiplicou.
Sei disso pelas histórias, sei disso porque tive o privilégio de ser sua neta e ouvir desde cedo do orgulho que ele tinha, da família que ele construiu. Elogiava filhas e netas como ninguém, alimentava a autoestima feminina, sem saber o quanto nos ajudou. O seu olhar pra nós era protetor, cuidadoso e alegre.
A sensibilidade sempre existiu e isso é para os fortes! Diferente do que muitos pensam! Falava dos amigos, dos conhecidos todos pelo centro da cidade, e nos seus discursos mais lúcidos se alegrava com cada conquista dos seus.
Terei lembrança das balinhas da infância, do seu caminhar a passos largos, do seu olho no olho, do seu abraço, das suas perguntas sobre cada um, do seu cabelo alvo e do quanto respeitou a minha mãe - sua primogênita, sem desmerecer o que fazia por cada um.
Hoje escutei dizerem de sua integridade, lembrei-me dele acompanhando muitos cortejos e sendo solidário - ainda que não soubesse de quem se tratava, vi seu sofrimento quando perdeu seu filho, lembrei do quanto ele confessava se entristecer por já ter visto "ir embora" quase todos de sua época, seus irmãos, parentes... no mesmo instante que dizia que sua hora chegaria, no mesmo instante em que gostava de ir ao médico e escutar dele que sua saúde estava em dia. "Visitar o médico" também era potencializar sua vontade de viver e de seguir a estrada.
Hoje vi em cada um de seus filhos o olhar amoroso dele e senti pena dele ter ido, porque é uma parte "carinhosa" da vida que se vai, mas "que sejamos gratos" ao que ele foi para nós e para muitos. Obrigada a cada um pelo cuidado com ele, por continuar o asseio - que ele sempre gostou de cumprir. Obrigada a Deus pelo privilégio de ter conhecido e guardado em mim e em tantos outros, o maior exemplo socioafetivo de nossa família.
Vá em paz vô, aqui a gente fica imaginando seu encontro com seus pais, filho, irmãos, amigos dos quais se lembrava com saudade, por quem tinha grande estima - e fazia questão de nos contar. Olhe por nós daí, sei que será um anjo bom, de cabelos de algodão e olhos invejáveis. Eu nunca vou esquecer: "O que vale é a vivência!"




Que lindo texto, Dali! Quanta ternura em suas palavras! Seu Fausto escreveu aqui uma linda historia, cujos ensinamentos ficarao na memoria de todos. E chegada a hora de ser acolhido nos braços amorosos do nosso Pai Eterno!
Que lindo, amiga. Quanta doçura, afeto em meio a dor. O que resta para os que ficam é a certeza que um dia se encontrarão na morada eterna. E que belo foi a passagem dele aqui nesta terra, cumpriu com maestria seu propósito. 👏👏👏🙏 E que Deus conforte o coração de toda família.🙏❤️
Vá em paz nosso amado vovô! Obrigado Daly pelas belas palavras que refletem exatamente o que eu particularmente sinto e me recordo sempre que imagino esse "menino" aí. Há tanto dele em nós, parte do seu eterno legado deixado para o mundo.
Senhor Fausto vai para os braços do Pai, onde será recebido com a mesma intensidade que dava seu aperto de mãos e abraço sempre oferecidos com carinho, amizade, atenção e gentileza. Vá em paz amigo!!