
Máscaras
- Daliane Azevedo P. Guimarães

- 17 de jun. de 2021
- 2 min de leitura
Hoje encontro oração em mim mesma, e na minha pequenez reconheço que "a culpa católica" plantada pelos preconceitos humanos, justificada muitas vezes pela fé e distanciamento das palavras, não pode ser religioso. Religião é mesmo "religar", perdoar-me pela não aceitação de mim mesma e consequentemente dos outros: diferentes e iguais, porque no fundo as pessoas só "são".
A ideia do controle, do rezar para "a mudança" do outro é tão utópica quanto pensar que somos mais, só por saber ritualizar o sagrado.
O nosso olhar precisa se curar primeiro! O terreno dos contrastes é tão ou mais perigoso do que o terreno dos "iguais".
Perceber-se numa situação limite ou de medo e encontrar colo pra chorar - sem questionarem sua "falta de fé", é Deus presente.
Assumir - me vulnerável, revelar o choro, sentir-me impotente - faz parte da construção da cura.
Viver na tentativa de ser mais de dentro pra fora, da tolerância para a paz interna, dos bastidores mais que nos palcos, dos risos misturados às lágrimas, traz um real tão mais simples... nem por isso menos religioso.
As máscaras caem quando ao invés de acolher, você receita, quando se distancia dos fatos, quando se vitimiza, quando se vangloria, quando sofre por não ser igual, quando se compara demais.
A máscara atual, referência na pandemia que vivemos, protege, salva, mostra muito "o cuidar de si e do outro", e na roda das metáforas - posicionando política e religiosamente: revela o olhar de Deus sobre a igreja mundo que temos. Além das paredes dos templos, das rotinas e correntes de orações, bem lá no fundo dos olhos, da alma e de toda coragem que se constrói - também com medo, ELE está.
Para quem acredita, para quem não professa sua fé, mas exatamente para quem RESPEITA o outro e APRENDE que o meu sincero dever humano se revela no afã, na estrada, nos recomeços, nos valores (des)construídos ao longo desta existência.
Nunca posso dizer que as especiais horas de oração, contadas por mim - são maiores que a oração do tempo, do olhar, da conduta do outro.
Cresci sabendo que "orar, costuma fazer bem"! Ainda concordo! Mas, "vem cá e me diz se está tudo bem?" - pode operar milagres, dar segurança a quem precisa, religar céus e Terra - posto que a escuta, vale ouro.
Tudo é religioso quando uns cuidam dos outros e nunca o contrário.





Que texto magnífico, Dali!
Como sempre na Sabedoria e Fortaleza de suas palavras!
Temos que parar para refletir...